Pollon cobra apoio do PL ao Senado e expõe disputa interna com Contar e Gianni em MS

Deputado afirma ter indicação direta de Bolsonaro, enquanto aliados defendem uso de pesquisas para definir segunda vaga da legenda

Giro 67
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A definição da segunda candidatura do PL ao Senado em Mato Grosso do Sul voltou a acirrar a disputa interna no partido. O deputado federal Marcos Pollon (PL) reafirmou que considera sua indicação uma determinação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e rejeitou qualquer possibilidade de a direita no Estado contrariar essa orientação.

A primeira vaga da legenda ao Senado já foi reservada ao ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL e nome escolhido pelo comando nacional do partido. A segunda, porém, segue em disputa entre Marcos Pollon, o ex-deputado estadual Capitão Contar e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira.

Durante entrevista a um programa de rádio de Campo Grande, Pollon afirmou que uma das duas vagas pertence a ele por indicação pessoal de Bolsonaro. O deputado citou uma carta escrita de próprio punho pelo ex-presidente como prova do apoio direto à sua pré-candidatura.

Ao ser questionado se a carta seria suficiente para garantir a vaga sem disputa interna com outros nomes do partido, Pollon foi enfático. Segundo ele, “não existe direita sem Bolsonaro”, frase usada para sustentar que qualquer movimento político identificado com a direita precisa respeitar a posição do ex-presidente.

O parlamentar também afirmou que seria “inconcebível” imaginar uma composição da direita que desautorizasse Bolsonaro em Mato Grosso do Sul. Para Pollon, não haveria espaço para um projeto eleitoral que busque votos no campo conservador sem seguir a orientação do ex-presidente.

Segundo o deputado, sua situação seria única no país. Ele afirmou ser o único pré-candidato com uma indicação direta de Jair Bolsonaro por meio de carta. Pollon disse ainda não ver possibilidade de o partido deixar de atender a essa determinação.

A declaração amplia a pressão sobre Reinaldo Azambuja, que terá a tarefa de conduzir a articulação interna do partido no Estado. Procurado para comentar as falas de Pollon, o ex-governador não havia se manifestado até o fechamento da apuração original.

A posição de Pollon contrasta com declarações recentes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Em visita a Campo Grande, ele afirmou que uma vaga ao Senado será de Azambuja, enquanto a segunda deverá ficar com o nome que apresentar melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto.Material de referência geográfica

Essa regra, se mantida, favoreceria Capitão Contar, que aparece à frente de Marcos Pollon e Gianni Nogueira em levantamentos eleitorais citados nos bastidores políticos. Pollon, no entanto, demonstrou desconfiança em relação às pesquisas.

Durante a entrevista, o deputado federal afirmou que levantamentos eleitorais costumam errar ao medir candidaturas ligadas à direita. Ele citou como exemplo a eleição presidencial de 2018, vencida por Bolsonaro, e sua própria eleição em 2022, quando disse não aparecer entre os favoritos antes de se tornar um dos mais votados.

Nos bastidores do PL, há integrantes que relativizam o peso da carta apresentada por Pollon. A avaliação de parte do partido é que o documento teria sido resultado de uma articulação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro junto ao ex-presidente, o que, para esse grupo, não deveria definir sozinho a composição da chapa.

O impasse coloca Reinaldo Azambuja no centro de uma disputa delicada. Já confirmado como candidato a uma das vagas ao Senado, o ex-governador agora precisa administrar a pressão de diferentes alas do partido para evitar que a divisão interna comprometa a estratégia eleitoral da sigla em Mato Grosso do Sul.

De um lado, Marcos Pollon reivindica a vaga com base no apoio direto de Bolsonaro. De outro, aliados de Capitão Contar sustentam que a escolha deve considerar o desempenho nas pesquisas e a competitividade eleitoral. Gianni Nogueira também segue no páreo, embora seja citada com menor força nas articulações internas.

A definição da segunda vaga ao Senado tende a ser um dos principais testes de unidade do PL em Mato Grosso do Sul. O desfecho deve indicar se a legenda seguirá a orientação atribuída a Bolsonaro, adotará o critério das pesquisas ou buscará uma composição capaz de reduzir o racha entre seus principais grupos políticos.

Fonte : jornaldoestadoms

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