Contrabandistas usavam Capital como entreposto para cigarros paraguaios

Polícia fez 12 apreensões, que totalizaram 1 milhão de maços; a movimentação financeira foi superior a R$ 76 milhões

Giro 67
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Uma quadrilha especializada no contrabando de cigarros paraguaios usava endereços em Campo Grande como entrepostos para armazenar os produtos trazidos ilegalmente e que seriam levados para outros estados do Brasil.

O esquema foi desmantelado em uma operação realizada ontem pela Polícia Federal (PF), a Receita Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

De acordo com as investigações, o grupo trazia a mercadoria contrabandeada por “rotas ilegais na região de fronteira” de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

“Em seguida, eram armazenados em depósitos clandestinos em Campo Grande/MS e distribuídos para outras unidades da federação, com o uso de veículos adaptados, transportadoras vinculadas ao grupo e documentação fiscal fraudulenta para simular legalidade”, diz trecho da nota.

Ainda segundo a Receita Federal, a investigação começou a partir de informações de inteligência da Polícia Federal, que identificaram “a atuação de um grupo organizado voltado ao contrabando de cigarros. A partir desse ponto, foram realizadas diligências integradas e análises fiscais detalhadas, que confirmaram a estrutura e o funcionamento sistemático da organização criminosa”.

Conforme a investigação, há indícios de que a quadrilha usava empresas de fachada e interpostas pessoas (laranjas) para lavagem de dinheiro conquistado por meio do contrabando de cigarros.

Isso porque foram identificadas “movimentações incompatíveis com a renda declarada, transferências fracionadas e utilização de mecanismos informais de remessa de valores ao exterior (‘dólar-cabo’)”.

“A investigação contou com análises fiscais e bancárias conduzidas pela equipe de investigação, que evidenciaram incompatibilidades entre rendimentos declarados e movimentações financeiras, além de variação patrimonial sem origem comprovada, contribuindo para o fortalecimento das apurações e o embasamento das medidas cautelares”, diz outro trecho da nota.

A quadrilha atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre seus integrantes, “incluindo aquisição no exterior [principalmente no Paraguai], transporte clandestino, armazenamento, distribuição e gestão financeira”.

De acordo com a Receita Federal, o grupo tinha pessoas para executar diversas atividades, como: aquisição de cigarros na região de fronteira com o Paraguai; transporte fracionado em veículos para reduzir riscos de apreensão; armazenamento em imóveis e estabelecimentos comerciais; distribuição em larga escala para outros estados; utilização de empresas de fachada e documentos fiscais fraudulentos para dar aparência de legalidade; e uso de sistemas informais de remessas financeiras e contas de terceiros para ocultação de valores.

“As condutas investigadas caracterizam os crimes de organização criminosa, contrabando, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”, explica a Polícia Federal, em nota.

Durante a Operação Rota Clandestina foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão – sendo 13 em Campo Grande e 1 em Santa Luzia (MG) –, além de 5 mandados de prisão preventiva e 5 medidas cautelares de monitoração eletrônica.

Também foi determinado o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados. Entre os bens apreendidos está um jet ski, além de vários outros veículos utilizados pelo grupo para o transporte dos cigarros contrabandeados.

OUTRA OPERAÇÃO
Esta é a segunda operação contra quadrilhas voltadas ao contrabando de cigarros paraguaios que ocorre em Mato Grosso do Sul este mês. Na semana passada, os alvos estavam em Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina.

Fonte : correiodoestado

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