Justiça mantém prisão de empresário investigado por desvio de R$ 27 milhões na Operação Gutenberg

Francisco Anízio dos Santos teve pedido negado após a Justiça concluir que a defesa não apresentou fato novo para afastar a prisão preventiva

Giro 67
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Justiça de Campo Grande manteve a prisão preventiva do empresário Francisco Anízio dos Santos, investigado como um dos possíveis líderes do esquema que teria movimentado R$ 27 milhões por meio de contratos suspeitos com prefeituras de Mato Grosso do Sul. Ele foi preso durante a Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco em 7 de julho de 2026.

O pedido de revogação da prisão foi analisado pelo juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande. Na decisão, o magistrado afirmou que os fundamentos usados para determinar a custódia permanecem válidos e que a defesa não apresentou circunstância nova capaz de modificar o entendimento anterior.

Segundo o juiz, a prisão foi decretada recentemente e já passou por reavaliações no Núcleo de Garantias da Capital e na própria 2ª Vara Criminal.

“A necessidade da custódia cautelar permanece hígida e inalterada”, registrou Deyvis Ecco.

O magistrado também rejeitou a possibilidade de substituir a prisão por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico ou restrições de contato. Para ele, essas providências não seriam suficientes para impedir uma eventual repetição dos crimes investigados nem para resguardar a ordem pública.

De acordo com o GaecoFrancisco Anízio dos SantosRossana Paroschi Jafar e Heyder Bartz ocupavam posições de liderança dentro da organização investigada. As responsabilidades individuais ainda dependem da análise da denúncia e do andamento da ação penal.

Defesa de Giovanni Jafar questiona atuação de juíza

Em outra frente do caso, o empresário Giovanni Paroschi Jafar tenta invalidar decisões tomadas pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, incluindo os mandados de prisão expedidos na operação.

O advogado José Belga Trad, responsável pela defesa, apresentou uma exceção de impedimento para afastar a magistrada do processo. O argumento é que o marido dela, o juiz Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, já havia atuado na mesma investigação.

Em 2023Eduardo Siravegna autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Giovanni Jafar e de outros alvos. A defesa sustenta que essa participação anterior impediria a atuação posterior da magistrada. O pedido ainda deverá ser analisado pela Justiça e não representa, neste momento, a anulação automática das decisões.

Gaeco denuncia 17 pessoas

Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ofereceu denúncia contra 17 investigados. Conforme as informações disponíveis, a acusação ainda aguarda análise judicial para ser recebida ou rejeitada.

A investigação começou em 2023 e resultou na Operação Gutenberg, realizada em 7 de julho de 2026. Foram solicitadas as prisões de 16 pessoas. Até o momento descrito no processo, 15 mandados haviam sido cumpridos e um investigado permanecia foragido.

Os denunciados e as respectivas situações informadas são:

  • Rossana Paroschi Jafar, dentista e proprietária de gráfica, presa;
  • Olívia Paroschi Jafar, médica e proprietária da Clínica Ross, em prisão domiciliar;
  • Felipe Paroschi Jafar, ex-servidor comissionado da Agesul, preso;
  • Giovanni Paroschi Jafar, empresário, preso;
  • Rhayane Souza Fanaia, apontada como pessoa usada para registrar empresas do grupo, presa;
  • Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação estadual de saúde, preso;
  • Jéssyca Duarte Burgatt, proprietária da Capital Saúde, em prisão domiciliar;
  • Joatan Gomes Peixoto, empresário, em prisão domiciliar;
  • Matheus Oliveira Peixoto, empresário, preso;
  • Francisco Anízio dos Santos, empresário, preso;
  • Douglas Henrique de Melo, empresário, preso;
  • Paulo Rogério de Melo, empresário e pai de Douglas, preso;
  • Gabriel Taquino de Paula, advogado, preso;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, conhecido como Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil, preso;
  • Geancarlo Leal de Freitas, advogado e servidor público, com prisão revogada;
  • Heyder Bartz, empresário, foragido;
  • Valesca Thaís Albuquerque Teixeira, indicada como atual proprietária formal da editora, não presa.

Contratos com prefeituras estão sob investigação

O ponto de partida da apuração foi um contrato de R$ 1 milhão firmado entre a Editora Avante e a Prefeitura de Miranda. Segundo os investigadores, a empresa havia sido criada pouco tempo antes, possuía capital social de apenas R$ 40 mil e estava registrada em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.

Com a quebra dos sigilos fiscal e telemático, o Gaeco identificou contratos considerados suspeitos em pelo menos 17 prefeituras de Mato Grosso do Sul.

A investigação sustenta que integrantes do grupo teriam usado sua influência na regulação estadual de saúde para pressionar gestores municipais. A liberação de consultas, exames ou procedimentos médicos teria sido utilizada como instrumento para estimular a compra de livros fornecidos pela Editora Avante.

Segundo o órgão, embora a empresa estivesse formalmente registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia, o controle efetivo seria exercido pela família Jafar, formada por Rossana Paroschi Jafar e seus filhos GiovanniFelipe e Olívia.

Clínica teria funcionado como base do grupo

Durante o cumprimento dos mandados, agentes encontraram kits de livros da editora na Clínica Ross, apontada como uma das bases operacionais do grupo.

Material de referência geográfica

Na sala administrativa do estabelecimento, foram apreendidos um comprovante de transferência via Pix de R$ 30 mil para Rhayane Souza Fanaia, um caderno com a anotação “extrato Editora Avante”, notas fiscais e uma proposta comercial destinada ao município de Aquidauana.

Gaeco também investiga empresários que teriam recebido valores como parte do suposto processo de lavagem de dinheiro. Entre eles aparecem Douglas Henrique de Melo e o pai, Paulo Rogério de Melo, ligados a garagens de veículos e casas noturnas em Campo Grande.

Com a denúncia ainda pendente de análise, caberá à Justiça decidir se há elementos suficientes para abrir a ação penal contra os 17 acusados. Até uma decisão definitiva, todos devem ser tratados como inocentes, conforme estabelece a legislação brasileira.

Fonte : jornaldoestadoms

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