A valorização da arroba do boi gordo voltou a pressionar o preço da carne bovina e já pesa no bolso dos consumidores de Mato Grosso do Sul.
Este ano, a principal referência do mercado pecuário acumulou alta de 8,9%, enquanto cortes tradicionais registraram aumentos de até 11,7%, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O movimento é atribuído à menor oferta de animais para abate, ao fortalecimento das exportações brasileiras e ao próprio funcionamento da cadeia de comercialização da carne.
Em um ano, o boi gordo acumulou alta de 12,1%, enquanto cortes tradicionais registraram aumentos de até 14,05%. Levantamento da Granos Corretora aponta que a arroba do boi gordo passou de R$ 296,71, em 4 de agosto de 2025, para R$ 332,68 após um ano.
Em relação ao início deste ano, quando a cotação era de R$ 305,35, a valorização chega a 8,9%.
Embora o aumento da arroba não seja repassado automaticamente ao consumidor, ela representa o principal custo da matéria-prima para a indústria frigorífica. À medida que frigoríficos renovam estoques e negociam com distribuidores e redes varejistas, o reajuste acaba chegando às gôndolas.
Os números do IPCA confirmam esse movimento. No acumulado deste ano, o grupo carnes registra inflação de 7,61%. Entre os principais cortes, a ponta de peito lidera os aumentos, com alta de 11,73%, seguida pela paleta (10,13%), costela (8,78%), coxão mole (7,46%) e contrafilé (6,03%).
Em 12 meses, a alta é ainda mais expressiva. O contrafilé acumula reajuste de 14,05%, a ponta de peito de 12,86%, a paleta de 12,44%, o coxão mole de 11,28%, a costela de 6,68% e o conjunto das carnes registra inflação de 8,71%.
VALORIZAÇÃO
Conforme o boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), a valorização da arroba é atribuída à combinação entre oferta mais restrita de animais e demanda aquecida.
O relatório aponta que a arroba do boi gordo alcançou R$ 330,67 em julho, acumulando valorização de 8,3% na comparação anual.
Segundo a análise, “a demanda em boas condições contribui para a manutenção dos preços” e “o bom desempenho das exportações segue atuando como fator de sustentação para o mercado”, absorvendo parte da oferta disponível no mercado interno.
A menor disponibilidade de animais terminados tem favorecido a recuperação dos preços pagos ao produtor.
“No ano de 2026 a oferta de animais está menor e garante condições para a boa precificação da arroba”, afirma o boletim, que destaca ainda o crescimento dos embarques de carne bovina em relação ao ano passado.
Mesmo com aumento pontual do número de animais enviados ao abate em junho, o acumulado do primeiro semestre ainda mostra retração.
Dados da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) apontam que Mato Grosso do Sul abateu 2,08 milhões de bovinos entre janeiro e junho, redução de 1,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
As exportações também seguem fortalecendo o mercado. No primeiro semestre deste ano, MS exportou US$ 1,42 bilhão em carnes, crescimento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.
Fonte : correiodoestado





