O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) deflagrou na manhã desta sexta-feira (11) a Operação Antidutum, destinada a investigar possíveis fraudes e desvios de recursos públicos relacionados à Santa Casa de Campo Grande. Mandados são cumpridos em diferentes pontos da Capital, inclusive em dependências do próprio hospital.
Pelo menos oito equipes do Batalhão de Choque da Polícia Militar participam da mobilização dando apoio operacional ao cumprimento das ordens judiciais. Até o momento, não foram informados oficialmente o número total de mandados nem os nomes dos investigados.
Uma das equipes atua na área da Santa Casa com acesso pela Avenida Mato Grosso, onde funciona o atendimento relacionado ao plano de saúde do hospital. Durante as buscas, funcionários e pacientes ficaram temporariamente impedidos de entrar no local.
A investigação ocorre em um momento delicado para a instituição, que atravessa uma grave crise financeira e depende de recursos públicos para manter serviços considerados essenciais à rede de saúde de Mato Grosso do Sul.
Hospital enfrenta crise financeira
Nos últimos meses, a Santa Casa acumulou dificuldades para manter pagamentos de funcionários, médicos e fornecedores. A crise também atingiu especialidades de alta complexidade.
Um dos episódios mais graves foi a saída de médicos especialistas e a consequente interrupção da cirurgia cardíaca pediátrica, serviço que atendia pacientes de diferentes municípios do Estado.
Diante do agravamento da situação financeira, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande fizeram um repasse emergencial de R$ 4 milhões para auxiliar na manutenção dos atendimentos.
Paralelamente, a instituição mantém ações judiciais nas quais busca ampliar os recursos públicos destinados ao hospital. Em uma delas, a Santa Casa reivindica aumento de repasses equivalente a R$ 156 milhões por ano, sob a alegação de enfrentar déficit mensal de aproximadamente R$ 13 milhões.
Investigação ainda está em andamento
A Operação Antidutum acrescenta agora uma frente criminal ao cenário de dificuldades enfrentado pelo hospital. A apuração busca esclarecer se recursos públicos destinados à instituição foram objeto de irregularidades.
Até a manhã desta sexta-feira, os responsáveis pela operação ainda não haviam divulgado detalhes sobre valores investigados, período das supostas irregularidades ou eventuais responsabilidades individuais.
A Santa Casa de Campo Grande também ainda não havia apresentado manifestação pública sobre as buscas. A expectativa é que novas informações sejam divulgadas após a conclusão do cumprimento dos mandados.
Por se tratar de uma investigação em andamento, as suspeitas apuradas na Operação Antidutum não significam, por si só, comprovação de responsabilidade dos investigados.
Fonte : jornaldoestadoms





