O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não pretende utilizar igrejas para fazer campanha eleitoral ou discursos políticos. A declaração foi feita na quarta-feira (16), durante encontro com lideranças evangélicas brasileiras e estrangeiras no Palácio do Planalto, em Brasília. Reportagens sobre a reunião registram a presença de religiosos do Brasil, dos Estados Unidos e de Cuba.
Lula disse que rejeita convites para falar de política dentro de templos por considerar que a fé deve ser respeitada. “Eu me recuso toda vez que alguém pede para eu ir numa igreja falar de política. Eu não vou”, declarou. Em outro trecho, acrescentou que, se quiser realizar atividade política, prefere fazê-la fora dos espaços religiosos.
A declaração ocorre durante a campanha presidencial de 2026, em um momento no qual o eleitorado evangélico ocupa espaço relevante na disputa política. O encontro no Planalto foi realizado a menos de três semanas do primeiro turno.
Mulheres nas igrejas entram no discurso
Durante a conversa, Lula também abordou a participação das mulheres nas denominações evangélicas e fez uma comparação com a estrutura da Igreja Católica.
O presidente associou parte do crescimento das igrejas evangélicas ao espaço ocupado pelas mulheres e afirmou que a Igreja Católica enfrentará dificuldades enquanto mantiver o celibato e não permitir que mulheres exerçam funções como sacerdotes e bispos. A manifestação foi uma avaliação do próprio presidente sobre as diferenças entre as duas tradições religiosas.
Lula relaciona símbolos do PT ao cristianismo
Ao recordar a criação do Partido dos Trabalhadores, Lula contou que utilizava referências cristãs quando era questionado sobre a cor vermelha adotada pela legenda.
“Eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira”, afirmou. Segundo ele, a estrela do partido era explicada a partir da utilização das estrelas como orientação pelos antigos navegadores. Ao mencionar a própria barba, disse que respondia aos questionamentos lembrando que “Jesus Cristo era barbudo”.
O presidente também relacionou sua trajetória pessoal à fé. Ao lembrar a infância pobre no Nordeste e sua chegada à Presidência da República, afirmou considerar sua história uma demonstração da generosidade de Deus.
Conselho de Segurança também foi alvo de críticas
O encontro avançou para temas internacionais. Lula antecipou parte da discussão que pretende levar à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e voltou a defender mudanças no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU.
As críticas foram dirigidas aos cinco países com assento permanente e poder de veto, Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Lula afirmou que o Conselho foi criado para promover a paz e a harmonia internacional, e não guerras.
Ao cobrar atuação dos integrantes permanentes diante de conflitos internacionais, o presidente classificou como “covardes” países que, segundo sua avaliação, deixam de tomar decisões quando deveriam agir.
A participação de Lula na Assembleia Geral está prevista para a próxima semana. Além dos conflitos internacionais, o governo brasileiro prepara para o encontro temas relacionados ao multilateralismo, reforma da ONU, direito internacional e combate à fome e à pobreza.
Fonte : jornaldoestadoms





