A defesa do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, investigado na Operação Infiltrados, vai pedir a revogação da prisão do policial civil. Ele se apresentou à Corregedoria-Geral da Polícia Civil na tarde de quinta-feira (24) e foi preso em cumprimento a mandado expedido no âmbito da investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Hoffman está preso no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e deve passar por audiência de custódia no sábado (26). A defesa é representada pelo advogado Amilton Ferreira de Almeida, que informou que apresentará pedido para que a prisão seja revogada.
A Operação Infiltrados cumpriu, na quinta-feira, mais de 20 mandados de prisão e quase 40 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os investigados estão delegado, policiais civis e militares, além de outros suspeitos.
Defesa diz que delegado foi surpreendido
Equipes do Gaeco estiveram na residência de Hoffman durante a manhã de quinta-feira para cumprir o mandado, mas ele já havia saído e não foi encontrado. Horas depois, o delegado compareceu à Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Segundo Amilton Ferreira de Almeida, o cliente não sabia da investigação e havia deixado a residência para tratar de uma questão particular.
“Está muito surpreso, não está entendendo nada do que aconteceu. Mas logo a gente vai saber quais são as acusações”, afirmou o advogado.
A defesa também contesta qualquer interpretação de que Hoffman estivesse tentando evitar o cumprimento da ordem judicial.
“Não estava foragido; ele não tinha nenhum conhecimento sobre a operação, que coincidiu com ele ter saído de casa mais cedo hoje. Se tivesse vazado alguma informação, ele não teria saído de casa da forma que ele saiu”, declarou.
Investigação começou em 2025
As apurações que resultaram na Operação Infiltrados começaram em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos nas operações Traquetos e Blindspot. Segundo a investigação, foram identificados indícios da participação de agentes de segurança em um esquema envolvendo o desvio de drogas, principalmente cocaína.
De acordo com o Gaeco, o grupo investigado teria retirado parte dos entorpecentes de apreensões policiais por diferentes métodos. Em uma das práticas apuradas, parte da quantidade efetivamente apreendida não seria registrada oficialmente. Em outra, drogas teriam sido retiradas diretamente do depósito de delegacia.
A investigação aponta que os entorpecentes desviados seriam entregues a traficantes ligados ao grupo, responsáveis por recolocá-los no mercado ilegal.
As acusações ainda estão sob investigação, e os envolvidos têm direito à defesa e ao devido processo legal.
Sejusp diz que servidores já eram monitorados
A Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) informou que os servidores das forças de segurança alcançados pela operação já eram investigados pelas respectivas corregedorias.
Segundo a pasta, “três deles já haviam sido presos anteriormente e um, inclusive, exonerado recentemente”.
Presos relacionados à operação
Entre os nomes divulgados como presos estão:
- Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, delegado da Polícia Civil de MS;
- Douglas Tobias, policial civil;
- Neverson Vieira de Araújo, policial civil;
- Luiz Carlos de Souza, policial civil;
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira, policial civil;
- Nilton César Sales dos Santos, policial civil;
- Alison Lemes Bezerra, policial militar;
- Augusto Torres Galvão Florindo, ex-policial civil;
- Vitor Ribeiro Venancio dos Santos, policial penal que já estava preso;
- Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, acusado de tráfico;
- Valdenice da Silva Goes, mãe de LK;
- Ana Carolina da Silva dos Santos, irmã de LK;
- Wesley Benites.
O pedido de revogação anunciado pela defesa de Hoffman D’Ávila abre agora uma nova etapa na discussão sobre a manutenção da prisão, enquanto as investigações sobre a atuação dos suspeitos e o suposto esquema de desvio e redistribuição de drogas continuam.
Nota da Sejusp na íntegra
“A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação ‘Infiltrados’, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.
A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram.”
Fonte : jornaldoestadoms





