O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, deverá prestar novo depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (15), às 14h, em Brasília. A oitiva faz parte das investigações sobre as operações financeiras realizadas entre o Master e o Banco de Brasília (BRB), incluindo a aquisição de carteiras de crédito sob suspeita de irregularidades.
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026. Em junho, foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília.
A investigação integra a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para apurar suspeitas de irregularidades na negociação de aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo BRB junto ao Banco Master. A Polícia Federal investiga a possibilidade de que parte dos ativos negociados não tivesse lastro legítimo.
Ex-presidente do BRB também é investigado
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está preso desde 16 de abril de 2026, sob suspeita de ter recebido pagamentos indevidos de Daniel Vorcaro. As acusações fazem parte da investigação e ainda dependem de conclusão judicial.
Outro ex-dirigente citado é Dario Oswaldo Garcia Júnior, que ocupava a diretoria executiva financeira e de controladoria do BRB. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão na operação e havia sido afastado do cargo em novembro de 2025.
Mensagens indicam articulações anteriores à compra
Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal analisou mensagens trocadas entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa, em outubro de 2024, sobre o aumento de capital do BRB e seus possíveis efeitos no mercado financeiro.
Segundo a investigação, o então presidente do banco demonstrou preocupação com a repercussão da operação e mencionou a necessidade de “dar sinais ao mercado”.
As conversas ocorreram próximas à autorização, pelo acionista controlador, de um aumento de capital de R$ 750 milhões, já submetido ao Conselho de Administração do BRB.
Na avaliação dos investigadores, os documentos e as mensagens indicam que a aquisição e a integração do Master ao BRB já estavam sendo consideradas no planejamento estratégico das instituições naquele período.
PF aponta possível dependência financeira entre os bancos
O relatório também examina operações realizadas após a entrada do grupo Master na composição acionária do BRB.
De acordo com a PF, o banco público passou a adquirir grandes volumes de carteiras de crédito, instrumentos financeiros e outros ativos vinculados ao grupo investidor, em transações que somaram bilhões de reais em um intervalo relativamente curto.
Os investigadores avaliam que essa movimentação pode ter criado uma relação de dependência financeira entre as instituições, aumentando a exposição do BRB a ativos considerados de maior risco.
“Tal dinâmica evidencia circularidade econômica e dependência financeira artificialmente construída, criando incentivo direto para internalização de ativos de maior risco, com impacto relevante sobre a solidez financeira da instituição pública”, afirma trecho do relatório encaminhado ao STF.
O novo depoimento de Daniel Vorcaro deverá abordar essas relações comerciais e financeiras, além das circunstâncias das negociações investigadas.
As suspeitas apresentadas pela Polícia Federal ainda estão sob apuração e não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.
Fonte : jornaldoestadoms





