EUA preparam envio de drones MQ-9 à América do Sul para ampliar ofensiva contra o narcotráfico

Aeronaves usadas na África devem ser deslocadas para o Comando Sul; equipamento permite vigilância, coleta de inteligência e ataques de precisão

Giro 67
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Os Estados Unidos se preparam para deslocar drones militares MQ-9 Reaper atualmente empregados na África para a área de responsabilidade do Comando Sul (SOUTHCOM), que abrange a América Latina e o Caribe. A movimentação integra a estratégia do governo Donald Trump de ampliar operações contra o narcotráfico e grupos classificados por Washington como terroristas.

Segundo a CNN, seis fontes familiarizadas com o planejamento confirmaram a preparação da transferência. O número de aeronaves ainda não está definido, mas uma das fontes afirmou que a maioria dos MQ-9 atualmente vinculados ao Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM) poderá ser redirecionada ao SOUTHCOM. O Pentágono não comentou a informação.

Os MQ-9 Reaper são aeronaves remotamente pilotadas utilizadas pelas Forças Armadas americanas para vigilância, reconhecimento, coleta de inteligência e ataques de precisão. A transferência ocorre enquanto Washington amplia acordos de segurança com governos sul-americanos.

Operações terrestres entram nos planos

De acordo com as fontes ouvidas pela CNN, o deslocamento antecede operações antidrogas e antiterrorismo planejadas para a região, inclusive possíveis ações em parceria com o Equador.

Os Estados Unidos já vêm realizando operações conjuntas com países latino-americanos. No início deste mês, o SOUTHCOM informou ter participado, ao lado do governo equatoriano, da interceptação e destruição de embarcações apontadas como estruturas de apoio ao narcotráfico no Pacífico Oriental.

O governo americano também aprofundou a cooperação militar com a Colômbia. A CNN informou que três MQ-9A Reaper deverão ser emprestados ao país para monitoramento de corredores utilizados pelo narcotráfico e eventuais ataques de precisão, condicionados às autorizações aplicáveis.

Estratégia prioriza o hemisfério ocidental

A transferência dos drones acompanha uma mudança de prioridades militares do governo Trump. Segundo a CNN, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, colocou a proteção do território americano e do hemisfério ocidental como principal prioridade da estratégia de defesa divulgada neste ano.

Washington também vem estreitando relações de segurança com governos da região. Neste mês, o secretário de Estado Marco Rubio percorreu países sul-americanos para discutir cooperação contra o narcotráfico, organizações criminosas transnacionais e segurança de fronteiras.

O Peru, por exemplo, aderiu ao Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos voltada ao enfrentamento de cartéis e do narcotráfico.

EUA já realizaram ataques no Caribe e no Pacífico

A atual movimentação militar é precedida por meses de operações americanas no Caribe e no Pacífico Oriental. Segundo a CNN, ataques contra embarcações classificadas pelo governo dos Estados Unidos como ligadas ao tráfico deixaram pelo menos 230 mortos.

Nas últimas semanas, parte das operações passou a priorizar interceptações. Tripulantes são retirados das embarcações e encaminhados às autoridades de países parceiros antes da destruição dos barcos.

Apesar dessa mudança, ataques letais continuam ocorrendo. As Forças Armadas americanas afirmaram ter matado três pessoas em 9 de setembro, durante uma ação contra uma embarcação que classificaram como envolvida com o narcotráfico no Caribe.

A efetividade da campanha é objeto de debate. Autoridades policiais e especialistas ouvidos pela CNN afirmaram que ainda não está demonstrado se os ataques produziram impacto duradouro sobre o fluxo regional de drogas, já que organizações criminosas podem alterar rotas e métodos de transporte.

Transferência reduz presença de drones na África

A movimentação também terá reflexos fora da América Latina. Os MQ-9 que poderão ser deslocados são utilizados em missões na África, onde forças americanas atuam contra organizações como Estado Islâmico e al-Shabaab.

Fontes militares demonstraram preocupação de que a retirada de parte das aeronaves possa dificultar algumas dessas operações. Ao mesmo tempo, há discussões dentro do governo americano sobre a possibilidade de enviar determinados drones para o Oriente Médio, em vez da América do Sul.

Até o momento, não há informação de que os MQ-9 anunciados pela reportagem serão enviados ao Brasil ou operarão em território brasileiro. O planejamento divulgado se refere ao deslocamento de ativos para o Comando Sul e à expansão de operações em cooperação com países parceiros da região.

Fonte : jornaldoestadoms

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