Figueirão completa nesta terça-feira (29) 23 anos de emancipação político-administrativa, relembrando uma trajetória que começou muito antes de sua transformação em município. Com 3.790 habitantes, segundo a estimativa populacional de 2026 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade está entre as menos populosas de Mato Grosso do Sul.
Figueirão tem atualmente 217 moradores a mais que Jateí, cuja população estimada é de 3.573 habitantes. Os números colocam Figueirão como o segundo município menos populoso do Estado, atrás apenas de Jateí.
A programação comemorativa promovida pela prefeitura foi antecipada e, conforme as informações disponíveis para o aniversário deste ano, não há atividade especial programada para esta terça-feira, data oficial da emancipação.
Ocupação começou no início do século XX
A formação de Figueirão remonta a 1901, quando começou a ocupação da região por famílias vindas principalmente de Goiás e Minas Gerais. Antes desse movimento, a área era habitada por indígenas Caiapós. Entre as famílias pioneiras citadas no histórico oficial aparecem Custódio, Rodovalho, Fernandes, Malaquias, Furtado, Amorim, Bercó, Geraldino, Felisbino, Santana e Albino.
Um novo capítulo começou em agosto de 1935, com a chegada de Moysés Araújo Galvão e Leontina Geraldino Galvão. Recém-casados em Coxim, os dois se estabeleceram na região quando Moysés, natural de Porto Nacional, chegou para trabalhar como professor contratado pela família Albino.
A educação teve papel decisivo na formação da futura cidade. Em 1949, Moysés e Leontina participaram da iniciativa para construir a Escola Rural Mixta de Figueirão, inaugurada no ano seguinte pelo então prefeito de Camapuã, Ernesto Solon Borges. O pedreiro Antônio de Sousa, responsável pela construção, é apontado no histórico municipal como o primeiro morador da área que começava a adquirir características urbanas.
Depois da obra, a casa de Antônio de Sousa foi vendida a Antônio Nunes Ferreira, conhecido como Boa Vida, que instalou no imóvel a primeira casa comercial da comunidade. Em 15 de setembro de 1952, o professor Demétrio Jorgetti Dicchoff iniciou as atividades escolares com 38 alunos, enquanto novas famílias, estabelecimentos comerciais, um destacamento policial e a igreja ajudavam a consolidar a vila.
Figueira deu nome ao município
A própria denominação de Figueirão guarda uma ligação direta com a paisagem encontrada pelos antigos moradores. Segundo o histórico da prefeitura, havia uma grande figueira próxima à travessia do Córrego Figueirão, em um ponto inicialmente chamado de Vau da Jesuína, referência a uma mulher que morava nas proximidades.
A passagem, utilizada por pessoas e animais, também ficou popularmente conhecida como Vau da Figueira. Com o passar dos anos, a referência à árvore acabou incorporada ao nome da comunidade e, posteriormente, do município.
A importância desse elemento para a memória local foi oficializada pela Lei Municipal nº 264, de 4 de abril de 2012, que declarou a figueira símbolo cultural de Figueirão.
De distrito de Camapuã a município
A primeira mudança administrativa importante ocorreu em 20 de dezembro de 1963, quando a Lei Estadual nº 2.087, sancionada durante o governo de Fernando Corrêa da Costa, criou o Distrito de Paz de Figueirão, ainda vinculado a Camapuã e ao então Estado de Mato Grosso.
Quarenta anos depois, a mobilização pela autonomia chegou ao resultado definitivo. Em 29 de setembro de 2003, a Lei Estadual nº 2.680, sancionada pelo então governador José Orcírio Miranda dos Santos, criou oficialmente o município de Figueirão, com território desmembrado de Camapuã.
A memória do processo de emancipação também está representada no brasão municipal. As três estrelas simbolizam etapas consideradas decisivas: a apresentação do projeto de criação do município, a vitória do “sim” no plebiscito e a sanção da lei de emancipação.
Município mantém forte ligação com o campo
A atividade rural permanece como uma das características econômicas e históricas de Figueirão. A prefeitura aponta a pecuária como base da economia local, com ligação rodoviária principalmente pelas MS-436, em direção a Camapuã e Alcinópolis, e MS-223, no acesso a Costa Rica.
O município possui atualmente 4.880,736 quilômetros quadrados de área territorial. No Censo de 2022, havia 3.539 moradores, com densidade demográfica de apenas 0,73 habitante por quilômetro quadrado. A estimativa de 3.790 habitantes em 2026 representa crescimento de 251 pessoas em relação à população recenseada quatro anos antes.
Aos 23 anos de emancipação, Figueirão chega ao aniversário mantendo elementos que atravessaram mais de um século de ocupação: a presença da produção rural, a memória das famílias pioneiras, a importância da escola na formação da comunidade e a figueira que acabou dando identidade e nome ao município.
Fonte : jornaldoestadoms





