Influencer é preso e carros de luxo são apreendidos em operação contra rifas ilegais em Campo Grande

Eduardo Razuk e o irmão foram presos nesta terça-feira; Polícia Civil mira suspeitas de lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo rifas de veículos

Giro 67
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O influenciador Eduardo Rezende da Silva Razuk, conhecido como Eduardo Razuk, e o irmão dele, Rafael Razuk, foram presos na manhã desta terça-feira (18) durante uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias.

A ação é coordenada pela DERCC (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos) e envolve o cumprimento de mandados em Campo Grande e Dourados, a cerca de 251 quilômetros da Capital.

Eduardo Razuk possui mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais e ganhou projeção principalmente com conteúdos envolvendo carros, velocidade e divulgação de rifas de veículos. O funcionamento desses sorteios e a movimentação financeira relacionada às operações estão entre os pontos investigados pela Polícia Civil.

Em Campo Grande, equipes da DERCC e do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) estiveram em imóveis ligados aos irmãos nas regiões da Vila Carlota, Vilas Boas e Jardim Cruzeiro.

Diversos veículos foram recolhidos durante as diligências e encaminhados para a Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos).

Mais de 30 veículos entram na mira da investigação

Uma das diligências alcançou um galpão na Vila Morumbi, onde havia mais de 30 veículos.

A estimativa inicial aponta que o conjunto de automóveis encontrado no local tenha valor próximo de R$ 10 milhões.

Entre os bens relacionados à operação estão veículos de alto valor. Uma BMW foi estimada em mais de R$ 1 milhão, enquanto um Volkswagen Arteon teria valor superior a R$ 900 mil. Uma Kombi modificada foi avaliada em aproximadamente R$ 300 mil.

No bairro Vilas Boas, onde Rafael foi localizado, os policiais também apreenderam uma Ford Ranger e um Mini Cooper.

A análise patrimonial deverá fazer parte da investigação para verificar a origem dos bens, movimentações financeiras e eventual relação entre o patrimônio encontrado e os crimes investigados.

Operação chega a Dourados

As diligências desta terça-feira também avançaram para o interior de Mato Grosso do Sul.

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Em Dourados, uma equipe da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) cumpriu mandado de busca na residência de Fábio Garcia do Amaral, apontado como proprietário da Clínica Hazelden BR, localizada em Fátima do Sul.

A clínica havia sido interditada pela Justiça em julho de 2025, depois da morte de uma adolescente de 16 anos, que havia sido amarrada durante um surto.

As informações disponíveis até o momento não detalham qual seria a eventual relação do alvo da busca em Dourados com os demais investigados nem indicam que ele tenha sido preso.

Rifas de automóveis já provocaram controvérsias

A investigação atual acrescenta um novo capítulo ao histórico de episódios envolvendo Eduardo Razuk e sorteios de automóveis.

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Em 2020, reportagens já questionavam a legalidade das rifas de veículos divulgadas pelo influenciador. Após a repercussão, ele chegou a interromper as iniciativas.

Em março de 2021, Razuk voltou a divulgar sorteios. Um deles envolvia um Ford Mustang Black Shadow, com previsão de comercialização de 20 mil cotas a R$ 50 cada, o que representaria uma arrecadação de R$ 1 milhão caso todas fossem vendidas.

Na época, a defesa sustentava que o influenciador não realizava diretamente a rifa e havia sido contratado por uma empresa para fazer a divulgação.

Meses depois, o mesmo Mustang voltou ao centro de uma controvérsia. O veículo anunciado como prêmio teria sido negociado com outra pessoa antes da conclusão do sorteio, e o vencedor inicialmente não recebeu o automóvel anunciado.

Influenciador já havia sido preso em 2020

O histórico policial relacionado a Razuk ganhou maior repercussão a partir de 2020.

Em março daquele ano, durante as restrições impostas em Campo Grande em razão da pandemia de Covid-19, ele publicou um vídeo dirigindo durante o toque de recolher. O episódio provocou investigação por suspeitas relacionadas a infrações de trânsito, desobediência e descumprimento de medidas sanitárias.

Em 17 de abril de 2020, o influenciador foi preso sob suspeita de receptação de um Toyota Corolla XRS com placas paraguaias. Ele foi liberado no mesmo dia depois do pagamento de R$ 20 mil de fiança, enquanto o carro permaneceu apreendido.

Ainda em 2020, outros episódios relacionados a carros de alta performance e velocidade chamaram a atenção das autoridades.

Em 24 de agosto daquele ano, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Razuk e ao também youtuber Luan Galasso. Os inquéritos envolviam suspeitas de receptação, contrabando, adulteração de veículos e crimes de trânsito. Carros de luxo e celulares foram recolhidos. Na ocasião, a defesa de Razuk sustentou que seus veículos não apresentavam adulterações.

Posteriormente, perícias realizadas em três automóveis pertencentes ao influenciador apontaram modificações consideradas irregulares. Relatório do Detran-MS também indicou que alterações poderiam elevar a emissão de gases poluentes, circunstância investigada como possível crime ambiental.

CNH chegou a ser suspensa

Em outubro de 2021, um Nissan Sentra utilizado por Razuk foi retido durante fiscalização. Segundo o histórico reunido sobre o caso, aquele seria o quarto veículo em poder do influenciador recolhido pelas autoridades desde 2020.

Naquele período, a CNH de Eduardo Razuk foi suspensa por seis meses em razão do acúmulo de pontos decorrentes de infrações de trânsito. A suspensão teve início em 21 de outubro de 2021.

Em janeiro de 2022, ele afirmou que pretendia buscar cidadania paraguaia e obter habilitação naquele país. Na ocasião, o Detran-MS confirmou que sua habilitação brasileira permanecia suspensa.

Audi sorteado virou disputa judicial

Outro episódio relacionado às rifas chegou à Justiça.

Em abril de 2024, tornou-se pública uma ação no Distrito Federal envolvendo um Audi S3 avaliado em aproximadamente R$ 250 mil, sorteado em janeiro de 2022.

Segundo a ação, o vencedor teria descoberto posteriormente que o automóvel estava alienado e relatou dificuldades para efetuar a transferência.

O processo também menciona um acordo posterior para recompra do veículo e uma controvérsia envolvendo valores que o autor alegava não ter recebido.

O caso é uma demanda cível, e a condição de réu no processo não representa condenação criminal.

Acidente com Golf também foi parar na Justiça

Em 6 de novembro de 2024, um Golf GTI pertencente a Eduardo Razuk se envolveu em um grave acidente com um motociclista na Avenida Ministro João Arinos, em Campo Grande.

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Eduardo não dirigia o automóvel no momento da colisão. O veículo estava sendo conduzido por um funcionário.

Testemunhas afirmaram na época que o Golf e um Honda Civic estariam envolvidos em uma disputa de racha antes do acidente. Essa versão foi negada por Razuk e pelo motorista, e a polícia não havia conseguido caracterizar naquele momento a existência da corrida ilegal.

O motociclista sofreu ferimentos graves e foi hospitalizado.

Em março de 2025, a vítima ingressou na Justiça pedindo aproximadamente R$ 1,1 milhão em indenizações por danos morais, materiais e estéticos. As alegações fazem parte da ação judicial e não devem ser tratadas como fatos definitivamente reconhecidos pela Justiça.

Investigação atual apura movimentação financeira

Na operação desta terça-feira, o foco da Polícia Civil está na suspeita de funcionamento de um esquema relacionado à exploração ilegal de loterias, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Os investigadores deverão analisar documentos, informações financeiras, dispositivos eletrônicos e os veículos recolhidos para estabelecer como os sorteios eram estruturados, qual volume de recursos teria circulado e se houve utilização de patrimônio para movimentar ou ocultar valores.

As prisões e apreensões são medidas tomadas durante a investigação e não significam condenação dos envolvidos. A responsabilidade de cada investigado dependerá das provas reunidas e das etapas posteriores do procedimento policial e judicial.

Com diligências em Campo Grande e Dourados, a operação permanecia em andamento nesta terça-feira e novas informações sobre bens apreendidos, resultados das buscas e eventuais outros investigados poderão ser divulgadas após a conclusão dos trabalhos policiais.

Fonte : jornaldoestadoms

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