A Polícia Federal (PF) rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em Brasília no âmbito da investigação que apura suposto esquema bilionário de fraudes financeiras.
A decisão foi comunicada oficialmente aos advogados do banqueiro por e-mail enviado na quarta-feira (10). Na mensagem, os investigadores informaram que não havia interesse na nova versão do acordo, repetindo a posição adotada em relação à primeira proposta apresentada pela defesa.
Vorcaro foi informado da negativa pelos advogados durante visita realizada nesta quinta-feira (11), na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde permanece preso.
Com a recusa da PF, a defesa passa a apostar na análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que também recebeu a proposta de colaboração premiada e avalia se há elementos suficientes para dar prosseguimento à negociação.
Investigadores viram pouca novidade no material
No mês passado, a Polícia Federal já havia rejeitado uma primeira versão da delação. Segundo relatos da investigação, o material apresentado pela defesa teria acrescentado pouco ao que já foi levantado pelos agentes.
Investigadores também demonstraram preocupação com a possibilidade de o banqueiro estar tentando preservar pessoas próximas, em vez de oferecer informações consideradas relevantes para o avanço das apurações.
A proposta de delação vinha sendo tratada de forma conjunta com a PF e a PGR. No início de maio, a defesa de Daniel Vorcaro finalizou os anexos do acordo e entregou o material às autoridades em um pen drive.
Acusação envolve fraudes bilionárias
Daniel Vorcaro é acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões. A investigação do chamado Caso Master apura suspeitas relacionadas à atuação do banqueiro e de pessoas ligadas ao grupo.
Durante as diligências, a PF apreendeu mais de oito celulares de Vorcaro. Segundo a investigação, a perícia inicial em parte dos aparelhos indicou que o caso pode ir além de fraudes financeiras, com suspeitas de corrupção, organização criminosa e uso de uma estrutura privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
Transferência para cela comum
No mês passado, após pedido da Polícia Federal, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília. Com isso, passou a seguir as regras internas da unidade para visitas, inclusive dos advogados.
Antes da transferência, ele estava em uma sala com características semelhantes às de “Estado-maior”, espaço também utilizado anteriormente para custodiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Vorcaro havia sido levado, em 19 de março, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, no centro da capital. Um dia antes, a defesa procurou a PF para informar o interesse do banqueiro em firmar acordo de delação premiada.
Na ocasião, ele assinou termo de confidencialidade, etapa inicial para abertura das tratativas de colaboração.
Com a nova negativa da Polícia Federal, o futuro da delação de Daniel Vorcaro dependerá da avaliação da PGR, que poderá decidir se há elementos novos, úteis e verificáveis capazes de justificar a continuidade das negociações.
Fonte : jornaldoestadoms





