O presidente da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems), Ricardo Ayache, afirmou que o reajuste na contribuição fixa dos cônjuges dos beneficiários vinha sendo debatido internamente havia cerca de dois a três anos. A mudança, anunciada pela instituição em 14 de maio, gerou forte reação entre beneficiários e sindicatos por representar aumento expressivo na cobrança mensal.
Segundo a Cassems, o reajuste foi definido após estudos técnicos apontarem desequilíbrio no modelo de custeio desse grupo. De acordo com os dados apresentados pela instituição, os cônjuges arrecadaram aproximadamente R$ 61 milhões nos últimos 12 meses, enquanto as despesas assistenciais ultrapassaram R$ 250 milhões, resultando em déficit de R$ 189 milhões.
Em entrevista, Ricardo Ayache afirmou que o plano enfrenta crescimento das despesas assistenciais desde a pandemia e que, no último ano, a Cassems registrou déficit contábil de cerca de R$ 24 milhões.
“Nós tivemos um crescimento grande das despesas assistenciais nos últimos anos e isso vem impactando o nosso resultado da pandemia para cá. No último ano, nós tivemos um deficit contábil na casa dos R$ 24 milhões”, disse.
O presidente explicou que a direção da Cassems avaliou diferentes grupos de beneficiários e identificou distorções entre receita e despesa. No caso dos cônjuges, segundo ele, o desequilíbrio financeiro exigiu uma reestruturação do modelo de cobrança.
“Quando a gente analisa o grupo de cônjuges, observamos um deficit nesse grupo no ano de 2025 de R$ 189 milhões, que traz a necessidade de uma correção para que o plano tenha viabilidade daqui para frente”, afirmou.
De acordo com Ayache, a contribuição média por cônjuge era de aproximadamente R$ 120. Após cálculos atuariais, que consideram projeções de despesas futuras, crescimento dos custos assistenciais e riscos financeiros, a instituição chegou ao valor de R$ 450 como referência para esse grupo.
O dirigente afirmou que, considerando o total da arrecadação da Cassems, o reajuste representará aumento de 14% na receita, sem mudança nos valores pagos pelos titulares. Ele justificou que 25 mil titulares não possuem dependentes e, por isso, a administração entendeu que não seria adequado aplicar reajuste generalizado.
“Quando a gente avalia todo o cenário, nós temos 25 mil titulares que não tem dependente. Então, não seria justo que esse grupo tivesse um ajuste de contribuição também. Esse reajuste estava sendo debatido internamente faz dois a três anos”, declarou.
Apesar das críticas, Ayache afirmou que a Cassems ainda tem valores abaixo dos praticados por planos semelhantes no mercado. Segundo ele, a contribuição média da instituição gira em torno de R$ 528, enquanto outros planos comparáveis passam de R$ 800 a R$ 1 mil.
Para o presidente, mesmo diante do aumento, parte dos beneficiários deve avaliar a estrutura oferecida pela Cassems antes de decidir deixar o plano.
“Mesmo diante desse aumento, aquelas pessoas que querem ter a assistência de um bom plano de saúde, com certeza farão uma análise criteriosa e permanecerão na Cassems, é o que nós esperamos”, afirmou.
O presidente também disse que a instituição adotou medidas administrativas para reduzir custos antes de aplicar o reajuste. Entre as ações citadas estão mudanças no modelo de remuneração de especialidades médicas, planejamento tributário da folha de pagamento, redução de gastos com energia elétrica e instalação de usina fotovoltaica.
Segundo Ayache, essas medidas geraram economia superior a R$ 100 milhões ao longo de 2025, ajudando a reduzir o impacto do déficit financeiro.
Mesmo assim, ele afirmou que sugestões alternativas apresentadas por beneficiários e representantes sindicais estão sendo analisadas pelas equipes técnica, financeira, contábil e atuarial da Cassems. As propostas serão levadas ao Conselho de Administração após avaliação de viabilidade.
Por enquanto, porém, o reajuste está mantido.
“Não é uma medida fácil de se tomar, não é uma decisão fácil, mas ela é necessária quando a gente pensa no futuro do plano de saúde, no futuro da assistência à saúde de milhares de pessoas”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de o governo estadual ajudar a bancar parte do reajuste, como defendem alguns sindicatos, Ayache afirmou que essa discussão cabe aos representantes dos servidores públicos e ao Governo de Mato Grosso do Sul, não à Cassems.
O presidente também comentou o aporte de R$ 60 milhões feito pelo governo estadual em setembro de 2023. Segundo ele, o recurso foi destinado a compensar despesas superiores a R$ 300 milhões acumuladas durante a pandemia da Covid-19.
Ayache afirmou que, embora o aporte tenha ajudado naquele momento, o setor de saúde passou a enfrentar novas pressões de custo nos anos seguintes. Ele citou a inflação médica, que ficou entre 12% e 15%, enquanto a inflação geral variou entre 4% e 5%.
Entre os fatores que encarecem a assistência, o presidente mencionou o envelhecimento da população, novos tratamentos em áreas como oncologia e reumatologia, além do aumento de diagnósticos relacionados ao transtorno do espectro autista.
Formado em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em 1993, Ricardo Ayache é especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e tem MBA em Gestão Empresarial em Cooperativas de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Ele foi diretor de Assistência à Saúde da Cassems entre março de 2001 e maio de 2010. Desde junho de 2010, ocupa a presidência da instituição.
A discussão sobre o reajuste deve seguir mobilizando beneficiários, sindicatos e a própria direção da Cassems nas próximas semanas. A instituição sustenta que a medida é necessária para preservar a sustentabilidade financeira do plano, enquanto representantes dos servidores cobram alternativas para reduzir o impacto direto sobre as famílias.
Fonte : jornaldoestadoms





