Riedel rejeita intervenção na Santa Casa e defende gestão profissional para enfrentar dívida de R$ 600 milhões

Em sabatina eleitoral, governador condiciona aumento de repasses à produtividade, mantém incentivos fiscais e apresenta propostas para saúde, educação, segurança e economia

Giro 67
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O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição em Mato Grosso do Sul, descartou uma nova intervenção na Santa Casa de Campo Grande e afirmou que a saída para a crise financeira e administrativa do hospital passa pela profissionalização da gestão, maior transparência e controle sobre a aplicação do dinheiro público. Segundo ele, a instituição acumula passivo estimado em R$ 600 milhões.

A declaração foi feita durante a primeira entrevista do Frente a Frente, série de sabatinas com candidatos ao Governo do Estado organizada por seis veículos de comunicação. A rodada reúne Campo Grande News, SBT/MS, TV Guanandi, A Crítica, JD1 Notícias e Correio do Estado. A entrevista de Riedel, gravada na terça-feira (15), foi programada para divulgação nesta quarta-feira (16).

Ao longo da sabatina, Riedel também defendeu a manutenção dos incentivos fiscais, falou sobre os efeitos da expansão da indústria de celulose, admitiu que Parcerias Público-Privadas (PPPs) poderiam ser discutidas conceitualmente na educação, mas disse não considerar o modelo necessário atualmente. Também abordou feminicídio, conflitos indígenas, desenvolvimento econômico e investimentos em ciência e tecnologia.

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Santa Casa concentra debate sobre saúde

A crise da Santa Casa ocupou parte relevante da entrevista. Questionado sobre as investigações recentes envolvendo a instituição, Riedel ressaltou a importância do hospital para a rede de saúde de Mato Grosso do Sul, mas afirmou que o repasse de dinheiro público exige controle sobre resultados.

“Sempre cobrei transparência e eficiência na aplicação de qualquer recurso público”, afirmou.

Segundo o governador, a estratégia do Estado é ampliar os pagamentos conforme a produtividade do hospital. Riedel afirmou que o governo estadual repassou R$ 98 milhões em 2024, R$ 149 milhões em 2025 e R$ 106 milhões até agosto deste ano. A estimativa apresentada pelo candidato é chegar a quase R$ 190 milhões em 2026.

Riedel sustentou que a Santa Casa, por ser uma instituição privada, precisa responder por sua administração. Ressaltou ainda que a contratualização do hospital ocorre com o município e que o Estado transfere recursos que posteriormente são repassados à instituição.

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“Nunca negaremos apoio à Santa Casa”, declarou, acrescentando que o governo continuará cobrando produtividade, eficiência e transparência.

Intervenção é descartada

Perguntado diretamente se seria necessária uma nova intervenção diante da situação do hospital, Riedel respondeu negativamente.

“Acho que a intervenção não é a solução. A solução é a profissionalização da gestão, e isso deve partir de dentro da Santa Casa”, afirmou.

Segundo ele, uma eventual intervenção envolve questões jurídicas e administrativas complexas, inclusive a responsabilidade sobre o passivo acumulado.

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“Quem ficaria com o passivo? Quem assumiria os R$ 600 milhões de passivo constituído da Santa Casa?”, questionou.

O governador também afirmou que o Estado não poderia promover diretamente uma intervenção sem decisão judicial e lembrou que a discussão envolve Município, Ministério Público, Justiça e Governo do Estado.

Corumbá e Ladário precisam de maior estrutura

Na regionalização da saúde, Riedel apontou Corumbá e Ladário como a área que atualmente necessita de maior reforço na assistência de média e alta complexidade.

O candidato afirmou que o Estado financia 45 hospitais de média complexidade remunerados conforme a produção e informou que já foi emitida ordem de serviço para um hospital regional destinado à região de Corumbá e Ladário.

Segundo ele, a unidade será o quinto hospital regional da estrutura estadual.

Riedel promete manter incentivos fiscais

Na economia, o governador defendeu a continuidade da política de incentivos fiscais caso seja reeleito.

Segundo Riedel, os benefícios cumprem duas funções: atrair investimentos privados e reduzir o preço de determinados produtos e serviços para o consumidor.

Ele citou como exemplos gás de cozinha, carne, etanol, combustíveis e itens da cesta básica. O candidato argumentou que retirar determinados benefícios poderia aumentar o custo final desses produtos.

Riedel afirmou ainda que Mato Grosso do Sul teria gerado mais de 140 mil empregos nos últimos três anos e meio, número apresentado por ele durante a entrevista como resultado do ambiente econômico e dos investimentos atraídos para o Estado.

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Os números citados pelo candidato fazem parte de sua argumentação na campanha e foram apresentados por ele durante a sabatina.

Governador diz que Estado precisa “gastar melhor”

Questionado sobre arrecadação e capacidade de investimento, Riedel afirmou que aumentar receitas não deve ser a primeira resposta para as dificuldades orçamentárias.

“Antes de pensar em arrecadar mais, precisamos pensar em gastar melhor”, declarou.

Segundo ele, mesmo com dificuldades na arrecadação, Mato Grosso do Sul manteve investimentos equivalentes a 12% a 15% da receita corrente líquida.

Celulose transforma cidades e exige estrutura

A expansão da indústria de celulose também foi abordada. Riedel reconheceu impactos sociais provocados pela chegada de grandes empreendimentos, especialmente durante a construção das fábricas.

Ele citou a experiência de Ribas do Rio Pardo como aprendizado para a implantação do projeto da Arauco em Inocência.

Segundo Riedel, Inocência tem aproximadamente 8 mil habitantes, mas atualmente concentra cerca de 14 mil trabalhadores relacionados ao ciclo de implantação do empreendimento. A expectativa apresentada pelo governador é de que, após a conclusão da obra, aproximadamente 2 mil trabalhadores permaneçam diretamente na unidade e outros 6 mil atuem na atividade florestal.

Na avaliação do candidato, o crescimento exige planejamento em saúde, educação, habitação, transporte e segurança pública.

PPPs na educação não estão nos planos atuais

Riedel também foi questionado sobre a possibilidade de implantação de PPPs na rede estadual de ensino.

“Existe essa possibilidade? Existe. Neste momento, não; conceitualmente, sim”, respondeu.

Ele explicou que o Estado já possui uma rede física consolidada e disse que foram investidos R$ 1,2 bilhão na reforma de 270 escolas, incluindo melhorias nas instalações elétricas, climatização, laboratórios, bibliotecas e infraestrutura tecnológica.

Por esse motivo, afirmou não existir atualmente necessidade de entregar a administração da estrutura física das escolas à iniciativa privada.

Riedel ressaltou que, mesmo em um eventual modelo de parceria, a responsabilidade pela política pedagógica continuaria sendo do Estado.

Ensino técnico é apontado como prioridade

Na educação, o governador afirmou ainda que 55% dos estudantes do ensino médio de Mato Grosso do Sul estão matriculados em cursos técnicos profissionalizantes.

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Segundo ele, a média nacional seria de 16%. Riedel também citou resultados do Pisa e afirmou que Mato Grosso do Sul ficou na nona posição nacional em proficiência.

As informações foram apresentadas pelo candidato ao responder sobre metas educacionais para um eventual segundo mandato.

Violência contra a mulher entrará na grade escolar

Outro compromisso apresentado durante a sabatina envolve o enfrentamento à violência contra as mulheres.

Riedel anunciou que o tema deverá entrar na grade escolar estadual a partir de 2027.

“O tema estará na grade escolar porque faz parte de uma mudança estrutural da sociedade”, afirmou.

O governador citou ainda as Salas Lilás existentes em 72 municípios, a Casa da Mulher Brasileira e mudanças nos procedimentos para acelerar a notificação de agressores e reduzir a repetição de depoimentos pelas vítimas.

Conflitos indígenas exigem solução fora dos tribunais, diz Riedel

Sobre as disputas envolvendo produtores rurais e comunidades indígenas, Riedel afirmou que considera insuficiente depender exclusivamente de decisões judiciais.

O candidato defendeu a compra de propriedades em áreas de conflito como uma das alternativas para solucionar disputas prolongadas.

Segundo ele, esse mecanismo já foi utilizado em Mato Grosso do Sul em alguns casos após décadas de discussões judiciais. Riedel também defendeu ampliação de políticas de educação, saúde e infraestrutura dentro das comunidades indígenas.

Tecnologia e agregação de valor entram na estratégia econômica

Na parte final da entrevista, Riedel apontou segurança alimentar, energia renovável e tecnologia como áreas estratégicas para os próximos anos.

O governador disse que pretende estimular uma etapa de industrialização além da produção de celulose.

“Não quero parar na fábrica de celulose. Quero fábricas de papel, papelão, tecido e outros produtos acabados”, afirmou.

Riedel também relacionou essa estratégia à Rota Bioceânica, defendendo que o corredor seja utilizado para ampliar a exportação de produtos industrializados.

No campo da inovação, o candidato afirmou que pretende atrair novos centros de pesquisa públicos ou privados e destacou projetos relacionados à energia renovável, hidrogênio verde e tecnologia.

A entrevista integra a programação eleitoral do Frente a Frente, criada para submeter os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul ao mesmo formato de questionamentos sobre temas como finanças públicas, saúde, educação, meio ambiente, segurança e desenvolvimento econômico.

Fonte : jornaldoestadoms

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